CELEBRA-SE HOJE O DIA MUNDIAL PARA CONSERVAÇÃO DO ECOSSISTEMA DE MANGAL

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Publicado por: Mamadu Alimo
Data: Julho 26, 2025

Celebra-se hoje, 26 de julho, o Dia Mundial para Conservação do Ecossistema de Mangal, sob lema "Tarrafes que sustentam a vida, protegem o clima e unem comunidades", com vista a promover a consciencialização da sua importância na biodiversidade biológica.

Nessa comemoração a Tiniguena reforça o seu compromisso com a conservação, com a reflorestação e gestão consciente do ecossistema através de suas ações técnicas e de consciencialização, principalmente nas comunidades da região de Quinará onde se desenvolveram várias ações para a proteção e restauração de mangais e paisagens produtivas para fortalecer a segurança alimentar e mitigar as mudanças climáticas.

Na Guiné-Bissau, os mangais ocupam cerca de 9% do território nacional, o que equivale a aproximadamente 301.800 hectares. É o segundo país com maior área de mangal na África Ocidental e tem o Parque Natural dos Tarrafes do Rio Cacheu, com seus 88.615 ha, cuja superfície é 68% coberta por mangal. Contudo enfrentam desafios como a exploração excessiva, a poluição e as mudanças climáticas.

Neste sentido a Tiniguena em colaboração com os seus parceiros apoiou no quadro do projeto “arroz e mangal”, de 2020 a 2024 a restauração de 106 hectares com as espécies Rhizophora e Avicennia germinans nas comunidades do sector de Tite (Enxudé e Djabada-Porto), região de Quinara que foram afetadas pela alterações climáticas, poluição e cortes dos tarrafes.

O agrónomo Jailson Pereira, disse que o mangal tem grande importância na agricultura familiar e na pesca principalmente nas comunidades dos arredores do sector de Tite onde tem atuado o projeto. Visto que os mangais (ou manguezais) fornecem uma série de vantagens para a pesca e agricultura, especialmente nas regiões costeiras.

“Sendo um berçário natural para peixes e crustáceos, os mangais são habitats ideais para a reprodução e crescimento de várias espécies de peixes, caranguejos, camarões e moluscos. Que possuem igualmente grandes vantagens na proteção dos estoques pesqueiros, já que ao fornecer abrigo e alimento, os mangais ajudam a manter saudáveis populações de espécies importantes para a pesca artesanal e comercial. Na Melhoria da qualidade da água, as raízes das árvores do mangal filtram sedimentos e poluentes, contribuindo para águas mais limpas e saudáveis para os peixes. E na Fonte direta de alimento e renda as comunidades costeiras capturam caranguejos, camarões e mariscos diretamente nos manguezais, garantindo subsistência e comércio local” explica o agrónomo.

Enquanto que na agricultura permite uma proteção contra erosão e salinização, os mangais estabilizam o solo costeiro, evitando que a água salgada invada terras agrícolas próximas. Na regulação do microclima, contribuem para a humidade do solo e regulação da temperatura, beneficiando plantações próximas. Barreira natural contra ventos e tempestades tropicais, protegendo áreas agrícolas costeiras. Aumento da fertilidade do solo, a matéria orgânica acumulada nas áreas próximas ao manguezal pode enriquecer o solo, beneficiando culturas agrícolas (especialmente em sistemas agroecológicos).

Considerou que durante a execução do projeto, houve mudanças significativas na vida das populações onde foi possível recuperar muitas bolanhas anteriormente abandonadas e improdutivas. Além disso, foram desenvolvidas atividades geradoras de rendimento, como a construção de um perímetro hortícola. Isso permitiu que as mulheres cultivarem hortaliças de forma orgânica, contribuindo diretamente para a segurança alimentar das comunidades. As mulheres das duas comunidades também foram beneficiadas com formações e materiais para a produção de sal solar, fortalecendo sua autonomia econômica e promovendo práticas sustentáveis.

Realçando que as duas comunidades estão fortemente empenhadas na preservação do mangal, pois já foram sensibilizadas sobre os impactos das alterações climáticas nas zonas costeiras.

“Elas reconhecem que o mangal atua como uma barreira natural essencial, capaz de minimizar o avanço das águas do mar, que podem romper os diques de proteção e destruir as bolanhas de Mangrove, onde é cultivado o arroz de água salgada uma cultura vital para a segurança alimentar local”.

O agrónomo recomendou mais sensibilização sobre a importância do tarrafe para as zonas costeiras uma vez que a Guiné-Bissau é um dos países mais vulneráveis à subida do nível médio da água do mar. Aconselha também uma sensibilização forte sobre o tratamento do lixo, sendo a poluição ambiental o maior problema tirando o corte, devido ao uso de sacos de plástico naquelas zonas principalmente em Enxude.

A Tiniguena é uma organização não governamental guineense fundada em 1991, que visa promover o desenvolvimento participativo e durável, baseado na conservação dos recursos naturais e culturais e no exercício da cidadania.
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