
No âmbito do projeto Ação Climática Feminista, mulheres beneficiárias do arquipélago dos Bijagós partilharam as suas experiências com uma delegação da Associação Mulher, Lei e Desenvolvimento (MULEIDE), de Moçambique. O intercâmbio abordou a governação comunitária e a gestão inclusiva das áreas marinhas protegidas, com o objetivo de promover o desenvolvimento comunitário através da partilha de saberes, estratégias e ferramentas entre as comunidades da Guiné-Bissau e de Moçambique.
O encontro decorreu na ilha de Formosa e reuniu mulheres de diferentes ilhas abrangidas pelo projeto. A iniciativa promoveu a troca de conhecimentos e boas práticas entre a Tiniguena e a MULEIDE, visando fortalecer a conservação marinha participativa e garantir que as mulheres e os grupos vulneráveis tenham voz ativa e liderança no desenvolvimento sustentável das suas comunidades.
Durante o intercâmbio, as participantes visitaram diferentes ilhas, bancas de moluscos e perímetros hortícolas. As visitas proporcionaram uma troca de experiências sobre agroecologia comunitária, resiliência climática, modelos de gestão e conservação de áreas comunitárias, igualdade de género, governação e empoderamento económico.
Mércia Fabião Chitinze, da MULEIDE, considerou que a experiência permitiu conhecer de perto a realidade guineense. Destacou a expressiva produção de arroz, a preservação do mangal e a força da identidade africana nos Bijagós. Em Moçambique, acrescentou, continuam os esforços para recuperar os mangais e resgatar traços culturais que se têm perdido.
Fundada em 1991, a MULEIDE é uma organização moçambicana dedicada ao combate à violência baseada no género. A instituição trabalha para reduzir as desigualdades de oportunidades no acesso ao progresso e ao bem-estar socioeconómico entre homens e mulheres, contribuindo para a prevenção e redução da violência.
Sharon Truzão, coordenadora do projeto RESEA em Moçambique, também se mostrou satisfeita com a visita e com as trocas estabelecidas com a comunidade bijagó e com a Tiniguena. Considerou «fortes» as lições aprendidas e elogiou, em particular, a dinâmica e a articulação entre a Tiniguena e as comunidades locais na preservação ambiental e cultural.
Naentrem Sanca, responsável pela área de género da Tiniguena no projeto Ação Climática Feminista, destacou a importância da partilha sobre o funcionamento das bancas de moluscos e os processos que têm aumentado o número de mulheres em posições de liderança nas estruturas comunitárias. Acrescentou que a Tiniguena adquiriu novas experiências, que poderão contribuir para a adoção de abordagens inovadoras sobre género nos contextos comunitários.
O projeto Ação Climática Feminista na África Ocidental (ACF-AO) é implementado na Guiné-Bissau pela Tiniguena, em parceria com a ONG internacional Inter Pares. O seu objetivo é ampliar as respostas comunitárias de adaptação às alterações climáticas e reforçar a participação das mulheres rurais e dos jovens na proteção da biodiversidade e na promoção da justiça climática.