XXª ASSEMBLEIA GERAL DE UROK: RECOMENDA REFORÇO NA IMPLEMENTAÇÃO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS E A REVISÃO DA ESTRATÉGIA DE FISCALIZAÇÃO DOS ESPAÇOS E RECURSOS NATURAIS

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Publicado por: Mamadu Alimo
Data: Junho 15, 2026

Os participantes da XX Assembleia Geral de Urok recomendaram a integração da educação ambiental nos programas escolares como forma de sensibilizar as novas gerações para a preservação dos ecossistemas e para uma utilização sustentável dos recursos naturais.

Face aos desafios colocados pelas alterações climáticas e pela crescente pressão sobre os recursos naturais, os participantes defenderam igualmente a revisão das estratégias de fiscalização dos bancos de moluscos, em particular durante os períodos de repouso biológico, bem como o reforço dos mecanismos tradicionais de conservação dos recursos, valorizando o papel dos anciãos e das autoridades tradicionais na gestão comunitária.

A Assembleia apoiada pelo Projecto ACF-AO, reuniu mais de 135 participantes provenientes das ilhas e comunidades da Área Marinha Protegida Comunitária de Urok (Formosa, Nago e Chediã), bem como representantes do Parque Nacional de Orango e do Parque Marinho João Vieira e Poilão.

Sob o lema “20 anos de gestão partilhada da AMPC Urok”, os participantes refletiram sobre os avanços alcançados e os desafios que se colocam para o futuro da área protegida.

Tomaram igualmente parte no encontro autoridades locais, representantes do Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP) e uma delegação da Área Marinha Protegida de Abéné, em Ziguinchor (Senegal), que partilhou a sua experiência em matéria de gestão participativa dos recursos naturais.

Durante os trabalhos foram apresentados os resultados de um inquérito de avaliação sobre a evolução da AMPC Urok ao longo dos seus 20 anos de existência. O estudo conclui que o modelo de governação partilhada continua alinhado com os valores culturais do povo Bijagó e contribui para a conservação dos recursos naturais. No entanto, identificou igualmente fragilidades na gestão de alguns recursos marinhos e terrestres, dando origem a um amplo debate e à formulação de várias recomendações.

No que respeita à juventude, os participantes defenderam o reforço das oportunidades de formação e educação nas ilhas, bem como uma maior participação dos jovens nos processos de decisão comunitária. Foi também recomendada uma maior dinamização das assembleias insulares por iniciativa dos próprios comités de gestão.

Durante a Assembleia foram ainda apresentados e aprovados os novos representantes das tabancas nos Comités de Gestão das ilhas de Nago, Chediã e Formosa.
Os participantes foram igualmente informados de que se encontra em curso o processo de elaboração do terceiro Plano de Gestão da AMPC Urok, cuja proposta deverá ser submetida à apreciação e aprovação numa próxima Assembleia Extraordinária.

Criada em 2005, a Área Marinha Protegida Comunitária de Urok é considerada uma experiência pioneira de gestão participativa na África Ocidental. O seu modelo de governação assenta na partilha de responsabilidades entre as comunidades locais e as instituições públicas, abrangendo as ilhas de Formosa, Nago e Chediã, no Arquipélago dos Bijagós.

A Tiniguena é uma organização não governamental guineense fundada em 1991, que visa promover o desenvolvimento participativo e durável, baseado na conservação dos recursos naturais e culturais e no exercício da cidadania.
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