No âmbito do projeto Ação Climática Feminista, mulheres beneficiárias do arquipélago dos Bijagós partilharam as suas experiências com uma delegação da Associação Mulher, Lei e Desenvolvimento (MULEIDE), de Moçambique. O intercâmbio abordou a governação comunitária e a gestão inclusiva das áreas marinhas protegidas, com o objetivo de promover o desenvolvimento comunitário através da partilha de saberes, estratégias e ferramentas entre as comunidades da Guiné-Bissau e de Moçambique.

O encontro decorreu na ilha de Formosa e reuniu mulheres de diferentes ilhas abrangidas pelo projeto. A iniciativa promoveu a troca de conhecimentos e boas práticas entre a Tiniguena e a MULEIDE, visando fortalecer a conservação marinha participativa e garantir que as mulheres e os grupos vulneráveis tenham voz ativa e liderança no desenvolvimento sustentável das suas comunidades.

Durante o intercâmbio, as participantes visitaram diferentes ilhas, bancas de moluscos e perímetros hortícolas. As visitas proporcionaram uma troca de experiências sobre agroecologia comunitária, resiliência climática, modelos de gestão e conservação de áreas comunitárias, igualdade de género, governação e empoderamento económico.

Mércia Fabião Chitinze, da MULEIDE, considerou que a experiência permitiu conhecer de perto a realidade guineense. Destacou a expressiva produção de arroz, a preservação do mangal e a força da identidade africana nos Bijagós. Em Moçambique, acrescentou, continuam os esforços para recuperar os mangais e resgatar traços culturais que se têm perdido.

Fundada em 1991, a MULEIDE é uma organização moçambicana dedicada ao combate à violência baseada no género. A instituição trabalha para reduzir as desigualdades de oportunidades no acesso ao progresso e ao bem-estar socioeconómico entre homens e mulheres, contribuindo para a prevenção e redução da violência.

Sharon Truzão, coordenadora do projeto RESEA em Moçambique, também se mostrou satisfeita com a visita e com as trocas estabelecidas com a comunidade bijagó e com a Tiniguena. Considerou «fortes» as lições aprendidas e elogiou, em particular, a dinâmica e a articulação entre a Tiniguena e as comunidades locais na preservação ambiental e cultural.

Naentrem Sanca, responsável pela área de género da Tiniguena no projeto Ação Climática Feminista, destacou a importância da partilha sobre o funcionamento das bancas de moluscos e os processos que têm aumentado o número de mulheres em posições de liderança nas estruturas comunitárias. Acrescentou que a Tiniguena adquiriu novas experiências, que poderão contribuir para a adoção de abordagens inovadoras sobre género nos contextos comunitários.

O projeto Ação Climática Feminista na África Ocidental (ACF-AO) é implementado na Guiné-Bissau pela Tiniguena, em parceria com a ONG internacional Inter Pares. O seu objetivo é ampliar as respostas comunitárias de adaptação às alterações climáticas e reforçar a participação das mulheres rurais e dos jovens na proteção da biodiversidade e na promoção da justiça climática.

No âmbito do projeto "Construir em Parceria", a Tiniguena apresentou, em Cabo Verde, um estudo sobre a juventude, as políticas públicas e as transformações sociais na Guiné-Bissau. O documento destaca a camada juvenil como o motor central das transformações sociais, económicas, culturais e políticas do país. Por outro lado, faz analise dos impactos das políticas publicas do sector para o bem-estar dos jovens.

A apresentação decorreu na cidade da Praia, inserida na Semana da Sociedade Civil e Intercâmbio entre Atores de Desenvolvimento. O evento reúne organizações da sociedade civil da Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal, além de instituições públicas, universidades, empresas, parceiros de cooperação e cidadãos.

O estudo realizado pela Tiniguena, aponta como principais fragilidades a centralização institucional em Bissau e a fraca articulação entre setores essenciais, como a educação, o emprego e a saúde. O documento destaca ainda a escassez de dados estatísticos, a baixa previsibilidade orçamental, a forte dependência de financiamento externo e a falta de institucionalização dos mecanismos de participação juvenil.

Conclui que, embora a Guiné-Bissau já disponha de uma base de trabalho, carece de um sistema coerente de políticas públicas para a juventude. Assim, o grande desafio atual não passa pela criação de novos documentos, mas sim por garantir que as políticas e estratégiasexistentes sejam executáveis, financiados, monitorizados e descentralizados.

Para superar essas barreiras recomenda a atualização da Política Nacional de Juventude, que deverá incluir metas, orçamentos e responsabilidades mais claras. Entre as prioridades destacam-se a criação do Plano Nacional de Emprego Jovem com foco na inclusão e na igualdade de género e a instituição de uma coordenação permanente que ligue o setor à educação, saúde, emprego e habitação.

Destaca ainda a necessidade de reforço do diálogo com associações juvenis e rádios comunitárias, a monitorização de dados detalhados para atualizar diagnósticos, o combate ao abandono escolar e o incentivo ao reforço da prevenção da violência baseada no género, a promoção da saúde mental dos jovens e o combate ao uso das substâncias psicoativas completam o pacote de medidas para garantir a proteção social dos jovens.

Além da apresentação da análise do contexto da Guiné-Bissau, o evento acolheu a apresentação de estudos homólogos sobre os direitos e desafios dos jovens em Cabo Verde e em São Tomé e Príncipe.

O "Construir em Parceria" é um projeto desenvolvido pela ACEP, em parceria com a Plataforma das ONG de Cabo Verde, a Casa dos Direitos da Guiné-Bissau, representada pela Tiniguena e a Federação das ONG de São Tomé e Príncipe (FONG-STP). A iniciativa conta com o apoio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, contribuindo para reforçar sinergias, o trabalho em rede, a participação democrática e a boa governação nos países envolvidos.

No âmbito do projeto Diversificação Agrícola, Mercados Integrados e Resiliência Climática-REDE, foi apresentada e validada a nova estratégia de gestão comunitária de equipamentos e recursos produtivos para as regiões de leste. A iniciativa estabelece um modelo de governação claro e reforça as regras de gestão e de prestação de contas junto das organizações e comunidades beneficiárias.

O ato da apresentação publica foi presidida pelo Governador da região de Bafatá, Mustafa Cassama e foi validada pelos membros dos comités de gestão de espaços produtivos, animadores comunitários e técnicos das Organizações Não Governamentais (ONG) NADEL e APRODEL, e os técnicos das delegacias regionais da agricultura e do Plano. Durante o encontro, foram debatidos os resultados dos diagnósticos e o modelo proposto, que abrange 6 comunidades das regiões de Bafatá e Gabú.

Esta estratégia baseia-se num estudo aprofundado das práticas sociais e culturais locais e na sua articulação com a engenharia social. Como principais recomendações, o documento aponta para a criação de uma rede alargada para a gestão partilhada dos equipamentos, a inclusão das autoridades comunitárias tradicionais nos comités de resolução e mediação dos conflitos. A Implementação de sistemas robustos de prestação de contas e de um inventário comunitário de forma a garantir a transparência.

O Reforço das capacidades de jovens e mulheres, o principal público-alvo do projeto e garantes da continuidade da gestão, a manutenção periódica dos equipamentos e a criação de um fundo de reparação e manutenção, constituem os principais mecanismos identificados para a perenidade dos equipamentos e dos espaços de produção.

O projeto REDE é uma iniciativa do Governo da Guiné-Bissau, financiada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e pelo Fundo de Adaptação Climática. A implementação nas regiões de Bafatá e Gabu conta com a parceria da Tiniguena, focando-se na diversificação da agricultura familiar, resiliente às alterações climáticas, na melhoria do acesso aos mercados e no aumento da produção agrícola.

No âmbito do projeto Ação Climática Feminista, líderes comunitárias da Guiné-Bissau e de Moçambique reuniram-se em Maputo para partilhar experiências e estratégias sobre a igualdade de género com o objectivo de promover o desenvolvimento comunitário, a governação inclusiva e as boas práticas na gestão ambiental.

O encontro, organizado pela Associação Mulher, Lei e Desenvolvimento (MULEIDE), focou-se em debater as desigualdades sociais, económicas e culturais que ainda limitam o acesso das mulheres à tomada de decisões e aos recursos produtivos em ambos os países.

Durante as sessões, a Tiniguena detalhou o impacto do projeto Ação Climática Feminista na África Ocidental (ACF-AO), destacando o papel da liderança feminina na sustentabilidade e na adaptação às alterações climáticas bem como o modelo de gestão das áreas marinhas comunitárias de Urok.

As participantes elogiaram a experiência que prometerampartilhar com as suas comunidades.

Binta Nhantindon membro da gestão das Ilhas Urok, disse que "Embora as nossas realidades tenham as suas diferenças, aprendi imenso. Levo para a minha comunidade ensinamentos valiosos sobre o combate à violência e a importância dos sistemas de poupança comunitária para que nos possamos apoiar mutuamente."

"Este encontro deu-me ferramentas para projetar melhor a nossa voz e apoiar outras mulheres, especialmente em contextos de violência doméstica ou onde há barreiras na educação e no mercado de trabalho. Como jovem, ainda é um desafio quebrar os estereótipos da sociedade, mas saio daqui mais preparada para ajudar outras mulheres a conquistarem a sua autonomia”, disse Palmira Chiau, Ativista da MULEIDE, Moçambique.

Fátima da Silva, representante de Urok afirmou que "Partilhámos o nosso modelo de gestão de áreas protegidas, o que foi muito relevante, pois as companheiras moçambicanas enfrentam a escassez de pescado devido à privatização de águas por pescadores estrangeiros. Em troca, aprendemos muito sobre as suas técnicas de trabalho nas hortas e os seus métodos de poupança."

Associação Mulher, Lei e Desenvolvimento (MULEIDE) é uma organização fundada em 1991 tem como foco o combate à violência baseada no género, visando eliminar o desequilíbrio de oportunidades no acesso ao progresso e ao bem-estar socioeconómico entre homens e mulheres com o objectivo de contribuir efetivamente para a redução da incidência da violência baseada no género.

Ação Climática Feminista na África Ocidental (ACF-AO), é implementada na Guiné-Bissau pela Tiniguena em parceria com a ONG canadiana INTER PARES, a fim de aumentar as respostas comunitárias à adaptação das mudanças do clima e o reforço da participação das mulheres rurais e dos jovens na governança local da biodiversidade e na ação climática.

Uma missão técnica recente da equipa do projeto ReLiMa (Redução do Lixo Marinho) revela que o país enfrenta uma total ausência de planos municipais e nacional para a gestão de resíduos, agravada pela falta de estratégias específicas para o lixo marinho plástico bem como uma prioridade política governativa, fazendo com que as iniciativas ecológicas enfrentam o desafio de criar estruturas resilientes que sobrevivam à instabilidade do Estado.

O que para a Tiniguena, sendo a organização responsável pelo ReLiMa, às constantes mudanças de governo torna vulnerável qualquer modelo desenhado na área dos resíduos.

Durante os trabalhos de campo, a equipa realizou uma visita técnica à lixeira de Safim, o diagnóstico aponta que o espaço se situa numa área de mangal, à beira-rio, potenciando a contaminação direta dos ecossistemas aquáticos. Ainda no local, os catadores reutilizamdiretamente alguns plásticos sem o processo de reciclagem.

O mesmo cenário repete-se na Ilha de Bubaque, uma das zonas prioritárias de atuação do projeto, embora exista uma lixeira local, a ausência de infraestruturas faz com que o lixo marinho tenha uma rota clara para o mar devido à proximidade com a costa. E a recolha é feita pelas associações.

Apesar do vazio estatal, a equipa da ReLiMa encontrou no terreno uma estrutura associativa ativa, embora limitadapela escassez de recursos. Numa reunião com várias entidades locais para compreender os constrangimentos à cooperação coordenada, destacaram-se duas organizações(Nindjên e ADEMA) com atuações um pouco distintas.

Os membros associados da Nindjên já beneficiaram de formação em reciclagem e assumem-se como a base operacional do projeto na ilha. A organização garante a deslocação de resíduos até à lixeira duas vezes por semana, principalmente nas praias. Promovem uma formação ambiental anual (com formadores vindos de Bissau) e realizaram um levantamento dos produtores de resíduos da ilha, cooperando com agências das Nações Unidas no setor do saneamento. Sobrevivem através de quotas dos membros. Colaboram com a administração local, mas raramente recebem apoio financeiro para custos básicos como combustível e transporte.

Associação Adema sediada também em Bubaque, focou a sua atuação na análise da qualidade da água devido ao surto de doenças locais e na reparação de poços comunitários. Contudo, por razoes de instabilidade política perdeu sua parceria estratégia com uma organização internacional.

Durante o encontro entre a ReLiMa e as associações, os participantes foram unânimes em afirmarem que a reciclagem é a única solução viável para a ilha, mas a sua implementação falha por total falta de equipamentos e maquinaria adequados à recolha e reciclagem.

Os atores locais propõem um modelo de economia circular focado na transformação de garrafas de plástico em blocos de construção civil. A ideia assenta num circuito comercial onde um operador compra o plástico recolhido pela população para fabricar e vender os blocos no mercado local.

Este modelo de incentivo já encontra eco noutras iniciativas privadas na ilha. Atualmente, há uma organização que já dinamiza um esquema de troca que atribui descontos comerciais aos cidadãos quando estes recolhem e entregam resíduos.

O desafio da ReLiMa passa agora por transformar estas respostas comunitárias isoladas num sistema integrado, capaz de travar a rota do plástico em direção ao mar profundo da Guiné-Bissau.

O projeto ReLiMa é uma iniciativa regional com a duração de cinco anos (2026-2030), financiada pelo Ministério Federal do Ambiente da Alemanha (BMUV), através do Programa de Subvenções contra o Lixo Marinho da Zukunft – Umwelt – Gesellschaft (ZUG). Além da Guiné-Bissau, o programa abrange Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, integrando três Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID) de língua portuguesa no Atlântico.

No âmbito do Dia Internacional da Conservação da Natureza, a Tiniguena lançou, nesta terça-feira (28 de julho), o Projeto de Redução do Lixo Marinho na Guiné-Bissau (ReLiMa). A iniciativa visa estabelecer modelos sustentáveis de prevenção, recuperação e reciclagem de resíduos no país.

A cerimónia de abertura decorreu na sede da Tiniguena, em Bissau, reuniu empreendedores, empresas, instituições do Estado e organizações da sociedade civil, onde partilharam experiências sobre a gestão de resíduos e analisaram a situação do tratamento do lixo particularmente de plásticos em Bissau e Bubaque. Abordaram ainda a responsabilidade das organizações e do Estado na elaboração de políticas públicas ambientais.

Durante a sessão, foi apresentado o plano de atividades para 2026 e constituído o Comité de Pilotagem do projeto.

O diretor do Centro de Resíduos de Produtos Químicos, Per Cassamá, que presidiu à cerimónia, classificou a iniciativa como uma estratégia fundamental para reforçar a governação ambiental. Sublinhou que a poluição por resíduos marinhos é uma das maiores ameaças aos oceanos e à biodiversidade da Guiné-Bissau.

"Espera-se que os resultados do projeto contribuam para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes, para o reforço da economia circular e para a redução da poluição desde a origem, promovendo padrões mais sustentáveis de produção e consumo", afirmou Per Cassamá.

O responsável de programas da Tiniguena, EriksonMendonça, destacou que o projeto representa um grande desafio por focar a gestão de resíduos num ecossistema particularmente sensível e de elevado valor económico. Mendonça defendeu a necessidade de um trabalho conjunto para mitigar o impacto nefasto do lixo no ecossistema guineense e garantiu a total disponibilidade da ONG para cooperar com todos os atores do setor.

Julian Wiechert, representante da Universidade de Rostock, explicou que a escolha da Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe se deve aos desafios comuns que enfrentam na gestão de resíduos plásticos devido à sua condição insular e costeira. O académico expressou o desejo de que o projeto seja amplamente adotado pelo Estado guineense e pelos diferentes atores locais que operam na área ambiental.

Rafaela Caizer, representante da BlackForest SolutionsGmbH, explicou que o encontro permitiu discutir soluções a longo prazo para melhorar a gestão de plásticos. A especialista alertou que a contaminação dos mares prejudica diretamente a pesca, uma das atividades económicas mais importantes da Guiné-Bissau.

O projeto ReLiMa é uma iniciativa regional com a duração de cinco anos (2026-2030), financiada pelo Ministério Federal do Ambiente da Alemanha (BMUV), através do Programa de Subvenções contra o Lixo Marinho da Zukunft – Umwelt – Gesellschaft (ZUG). Além da Guiné-Bissau, o programa abrange Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, integrando três Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID) de língua portuguesa no Atlântico.

A Tiniguena vai lançar, na próxima terça-feira, 28 de julho, o Projeto ReLiMa – Redução do Lixo Marinho na Guiné-Bissau, tendo como objetivo incentivar ações de proteção dos ecossistemas marinhos e promover uma gestão mais sustentável dos resíduos, envolvendo as comunidades na mitigação da poluição nos oceanos.

O lançamento será marcado por um workshop que servirá como espaço de diálogo, partilha de experiências e concertação entre os diferentes intervenientes que trabalham na área da gestão de resíduos sólidos e da conservação ambiental. O intuito é fortalecer as parcerias necessárias para enfrentar os desafios relacionados com a redução do lixo marinho no país.

Durante o encontro, serão apresentados os objetivos, as atividades previstas e os resultados esperados, bem como a criação do Comité de Pilotagem e as oportunidades de colaboração no âmbito da implementação do projeto ReLiMa.

O projecto irá abranger as comunidades do sector autónomo e da região de Bolama Bijagós.

O ReLiMa é uma iniciativa regional de cinco anos (2026-2030), financiada pelo Ministério Federal do Ambiente da Alemanha (BMUV) através do Programa de Subvenções contra o Lixo Marinho da Zukunft – Umwelt – Gesellschaft (ZUG), visa estabelecer modelos sustentáveis de prevenção, recuperação e reciclagem do lixo marinho em três Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID) de língua portuguesa no Atlântico: Guiné-Bissau,Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

As sessões de avaliação, balanço e acompanhamento do Projeto EGALE-AO, realizadas entre os dias 6 de maio e 8 de junho de 2026, nas 16 tabancas de intervenção do projeto nas regiões de Bafatá, Bolama-Bijagós, Oio e Quinara, revelaram resultados encorajadores no reforço da autonomia económica das mulheres rurais.

A avaliação adotou uma metodologia coletiva, participativa e aberta, permitindo que todos os membros das associações expressassem livremente as suas opiniões sobre a gestão dos recursos das organizações e os resultados alcançados ao longo do período de implementação. O processo criou um espaço de diálogo e reflexão, onde os participantes puderam esclarecer dúvidas, partilhar experiências e apresentar críticas construtivas e recomendações orientadas para a melhoria da gestão associativa e o fortalecimento das iniciativas comunitárias.

Durante o processo de avaliação, as associações de mulheres beneficiárias apresentaram os progressos alcançados através das diferentes caixas de poupança comunitárias criadas e geridas pelas próprias comunidades.

Entre os mecanismos implementados destacam-se as caixas de poupança destinadas à aquisição e manutenção de moto-carros, máquinas de descasque, hortas comunitárias e fundos de microcrédito. Estes instrumentos têm permitido às mulheres financiar atividades agrícolas, especialmente a produção hortícola, adquirir e conservar sementes, reabilitar e manter as hortas comunitárias e apoiar iniciativas sociais e educativas.

Os fundos mobilizados têm igualmente contribuído para a construção e reabilitação de escolas, ao apoio financeiro às crianças em idade escolar e á concessão de pequenos empréstimos destinados ao desenvolvimento de atividades geradoras de rendimento.

As beneficiárias consideram que os resultados alcançados demonstram a capacidade organizativa das mulheres rurais e evidenciam a importância dos mecanismos locais de poupança no fortalecimento da economia familiar e comunitária. Os resultados da avaliação confirmam ainda o papel central das mulheres na promoção do desenvolvimento local, da resiliência comunitária e da igualdade de género.

O Projeto EGALE-AO, implementado pela Tiniguena em parceria com a Inter Pares e as organizações da África Ocidental, visa reforçar a igualdade de género através da agroecologia liderada pelas mulheres, promovendo a sua participação nos processos de tomada de decisão e melhorando o acesso e o controlo dos recursos económicos.

No âmbito da parceria entre a Tiniguena e a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), uma delegação de mulheres guineenses está no Brasil para um intercâmbio de reflexão e partilha de experiências. O encontro foca-se na produção de alimentos, artesanato e conhecimentos tradicionais, com destaque para o protagonismo feminino e para a Soberania e Segurança Alimentar. O objetivo central é fortalecer as ações de valorização cultural e o protagonismo comunitário.

Apoiado pela Associação Kalunga Comunitária Engenho II (AKCE), o intercâmbio decorre de 22 a 26 de junho de 2026, na Comunidade KalungaEngenho II, em Cavalcante (Goiás). Sob o lema “Diálogo e saberes ancestrais: Caminhos entre a Guiné-Bissau e o Brasil”, a iniciativa visa proporcionar o encontro entre mulheres agricultoras, técnicas e pesquisadoras dos dois países, promovendo o diálogo sobre práticas agroecológicase tecnologias sociais.

A comitiva da Guiné-Bissau, coordenada por técnicos agrónomos da Tiniguena, é composta por agricultoras de três aldeias onde a organização atua. A Tabanca de Abú (Ilha de Formosa, sector de Caravela) é representada por Maimuna AugustoCunra, membro do agrupamento de mulheres horticultoras. A comunidade de Cabedu (zona de Cantanhez, região de Tombali) conta com a presença de M'buldé Na Baa, marisqueira e também, presidente da Unidade de Produção de citiburmedju (óleo de palma). Já a comunidade de Bessassema na região de Quinará é representada pela Alapaz Mam Tchongo, integrante do grupo local de horticultoras.

Este intercâmbio integra as metas do Projeto Ecossistema de Tecnologias Socio-territoriais Afro-Brasileiras em Agroecologia e Segurança Alimentar e Nutricional. A iniciativa é desenvolvida pela UNILAB, através da Pró-Reitoria de Relações Institucionais e Internacionais (Prointer), em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio do Grupo de Estudos, Pesquisas e Extensão em Agriculturas e Sistemas Sustentáveis (GEEPASS), vinculado à Escola de Agronomia.

Os participantes da XX Assembleia Geral de Urok recomendaram a integração da educação ambiental nos programas escolares como forma de sensibilizar as novas gerações para a preservação dos ecossistemas e para uma utilização sustentável dos recursos naturais.

Face aos desafios colocados pelas alterações climáticas e pela crescente pressão sobre os recursos naturais, os participantes defenderam igualmente a revisão das estratégias de fiscalização dos bancos de moluscos, em particular durante os períodos de repouso biológico, bem como o reforço dos mecanismos tradicionais de conservação dos recursos, valorizando o papel dos anciãos e das autoridades tradicionais na gestão comunitária.

A Assembleia apoiada pelo Projecto ACF-AO, reuniu mais de 135 participantes provenientes das ilhas e comunidades da Área Marinha Protegida Comunitária de Urok (Formosa, Nago e Chediã), bem como representantes do Parque Nacional de Orango e do Parque Marinho João Vieira e Poilão.

Sob o lema “20 anos de gestão partilhada da AMPC Urok”, os participantes refletiram sobre os avanços alcançados e os desafios que se colocam para o futuro da área protegida.

Tomaram igualmente parte no encontro autoridades locais, representantes do Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas (IBAP) e uma delegação da Área Marinha Protegida de Abéné, em Ziguinchor (Senegal), que partilhou a sua experiência em matéria de gestão participativa dos recursos naturais.

Durante os trabalhos foram apresentados os resultados de um inquérito de avaliação sobre a evolução da AMPC Urok ao longo dos seus 20 anos de existência. O estudo conclui que o modelo de governação partilhada continua alinhado com os valores culturais do povo Bijagó e contribui para a conservação dos recursos naturais. No entanto, identificou igualmente fragilidades na gestão de alguns recursos marinhos e terrestres, dando origem a um amplo debate e à formulação de várias recomendações.

No que respeita à juventude, os participantes defenderam o reforço das oportunidades de formação e educação nas ilhas, bem como uma maior participação dos jovens nos processos de decisão comunitária. Foi também recomendada uma maior dinamização das assembleias insulares por iniciativa dos próprios comités de gestão.

Durante a Assembleia foram ainda apresentados e aprovados os novos representantes das tabancas nos Comités de Gestão das ilhas de Nago, Chediã e Formosa.
Os participantes foram igualmente informados de que se encontra em curso o processo de elaboração do terceiro Plano de Gestão da AMPC Urok, cuja proposta deverá ser submetida à apreciação e aprovação numa próxima Assembleia Extraordinária.

Criada em 2005, a Área Marinha Protegida Comunitária de Urok é considerada uma experiência pioneira de gestão participativa na África Ocidental. O seu modelo de governação assenta na partilha de responsabilidades entre as comunidades locais e as instituições públicas, abrangendo as ilhas de Formosa, Nago e Chediã, no Arquipélago dos Bijagós.

A Tiniguena é uma organização não governamental guineense fundada em 1991, que visa promover o desenvolvimento participativo e durável, baseado na conservação dos recursos naturais e culturais e no exercício da cidadania.
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