Neste Dia Internacional das Mulheres Rurais (15 de outubro de 2027), a Rede das Margaridas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reafirma a importância de reconhecer e valorizar o papel fundamental das mulheres na agricultura, na produção e transformação de alimentos, na preservação da biodiversidade, na transmissão de conhecimentos e na sustentabilidade dos territórios rurais.
As mulheres rurais dos diversos países e territórios da CPLP contribuem diariamente para alimentar as suas comunidades, manter vivas práticas e culturas alimentares, cuidar dos recursos naturais e sustentar as economias locais. Apesar disso, o seu contributo continua frequentemente invisibilizado, e mantêm-se as desigualdades no acesso e controlo da terra, aos recursos produtivos, ao financiamento, à formação, aos mercados, à proteção social e aos espaços de decisão.
Em 2026, ano em que a CPLP comemora o seu 30.º aniversário, a celebração assume um significado particular, com a proclamação como Ano Internacional da Mulher Agricultora, pelas Nações Unidas, que constitui uma oportunidade para dar maior visibilidade às mulheres que trabalham ao longo dos sistemas agroalimentares e para impulsionar medidas concretas que enfrentem as desigualdades estruturais que limitam os seus direitos e oportunidades.
Para a Rede das Margaridas da CPLP, o reconhecimento das mulheres rurais não pode ficar limitado a celebrações ou declarações de intenção. São necessárias políticas públicas adequadas às suas realidades, condições dignas de trabalho e de vida, acesso efetivo aos recursos e serviços essenciais, valorização do trabalho produtivo e de cuidado e participação plena das mulheres na definição das políticas que afetam as suas vidas e os seus territórios.
É fundamental reconhecer que não há desenvolvimento sustentável sem igualdade de género, nem políticas alimentares e agrícolas eficazes sem a participação das mulheres que produzem, transformam e asseguram a alimentação das populações.
Como sublinha Maria de Fátima, Presidente da Associação AMAGRU, de São Tomé e Príncipe, membro da Rede das Margaridas da CPLP, “defender os direitos das mulheres rurais é também defender sistemas alimentares mais justos, a soberania alimentar e o futuro das nossas comunidades rurais”.
Neste 15 de outubro, a Rede das Margaridas da CPLP apela aos governos, às instituições públicas, às organizações da sociedade civil e aos demais atores dos sistemas agroalimentares para que reforcem os compromissos e as medidas concretas que garantam os direitos das mulheres rurais, valorizem os seus conhecimentos e assegurem a sua participação efetiva nos processos de decisão. No ano em que a CPLP celebra três décadas de cooperação, importa que este compromisso se traduza também em respostas concretas às desigualdades que persistem nos territórios rurais dos seus Estados-membros.
Reconhecer as mulheres rurais é indispensável. Garantir os seus direitos é uma responsabilidade coletiva.
A Tiniguena em parceria com a Inter Pares, realiza nos dias 14 e 15 de outubro de 2026, em Bissau, o Encontro de Encerramento dos Projetos: Ação Climática Feminista na África Ocidental (ACF-AO) e o EGALE-AO-Igualdade de Género através da Agroecologia na África Ocidental.
O evento tem como objetivo partilhar e valorizar os resultados e aprendizagens desta iniciativa, focada no reforço da adaptação às alterações climáticas de mulheres rurais e jovens em zonas costeiras e insulares ecologicamente sensíveis da Guiné-Bissau.
Para estes encontros são convidados diferentes ministérios e instituições do Estado, com destaque para o Ministério da Mulher, Família e Solidariedade Social, Ministério do Ambiente, Biodiversidade e Acão Climática, Ministério da Administração Territorial e Poder Local e o Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural. Também tomarão parte os parceiros financiadores e executores, bem como as comunidades beneficiarias dos dois projetos.
O evento divide-se em dois momentos chave, para o dia 14 de outubro, é dedicado exclusivamente a um encontro comunitário nas instalações da Tiniguena, focado na partilha de experiências e aprendizagens diretas das populações.
Já para o segundo dia (15 de outubro) a cerimónia oficial, reúne as comunidades e as instituições públicas parceiras para apresentar os resultados do projeto, debater as boas práticas e formular recomendações conjuntas sobre a sustentabilidade e replicação das dinâmicas iniciadas.
Com esta iniciativa, a Tiniguena e os seus parceiros reafirmam o compromisso com a justiça climática e com a valorização do papel das mulheres e dos jovens na governação sustentável dos recursos naturais do país.
O projeto ACFAO, também implementado na Côte d’Ivoire, Senegal e Togo, responde ao impacto crescente das alterações climáticas nas comunidades que dependem diretamente dos recursos naturais. Na Guiné-Bissau, a intervenção estruturou-se em três eixos principais: o reforço da influência de mulheres e jovens na advocacia climática e governação comunitária; a adoção de soluções baseadas na natureza (como a agroecologia e a proteção da biodiversidade); e o fortalecimento da resiliência através da autonomia económica, tecnologias apropriadas e diversificação energética.
O Projeto EGALE-AO é também uma iniciativa que visa reforçar a igualdade de género através da agroecologia dirigida pelas mulheres na África ocidental, com foco nas zonas rurais mais vulneráveis da Guiné-Bissau, Burquina Faso, Senegal e Togo, com duração de 5 anos (2022- 2026) e financiamento do governo Canadiano através da Global Affairs Canadá. Na Guiné-Bissau, foca-se no trabalho de reforço da igualdade de género e promoção de práticas agrícola resilientes às mudanças climáticas junto das mulheres, jovens e lideranças comunitárias nas 16 comunidades das regiões de Bafatá, Bolama-Bijagós (zona continental), Quinara e Oio.
Quarenta agricultores familiares das regiões de Bafatá, Bolama/Bijagós, Oio e Quinará foram homenageados no passado dia 10 de outubro. A distinção ocorreu durante o encerramento do projeto EGALE-AO e reconheceu o papel crucial dos agricultores na promoção da igualdade de género, no fortalecimento das organizações e lideranças femininas, e no desenvolvimento das suas comunitário.
O evento teve lugar na aldeia de Gã-Basse, na região de Bafatá, e reuniu cerca de 300 participantes, entre os quais representantes do Governo e do poder local. A cerimónia enalteceu o compromisso dos homenageados com a sustentabilidade e a equidade, destacando os avanços na agroecologia e na igualdade de género dentro das comunidades abrangidas pela iniciativa.
Ao longo de cinco anos de intervenção, o EGALE-AO procurou reforçar os direitos das mulheres rurais, promovendo o acesso à terra, a segurança no cultivo, a disponibilidade de sementes e o acesso aos mercados. A iniciativa apostou igualmente na formação e no acompanhamento das mulheres, com o objetivo de fortalecer as suas capacidades de organização associativa, gestão e comercialização de produtos agrícolas, contribuindo para o reforço da sua autonomia económica e para a melhoria das condições de vida nas comunidades.
Na Guiné-Bissau, o projeto alcançou 4.546 beneficiários diretos, mulheres e homens, através do trabalho desenvolvido com 16 associações e 26 comunidades, segundo os dados da avaliação realizada em setembro de 2026. Entre os principais resultados destacam-se a disponibilização de terrenos para atividades hortícolas, a introdução de técnicas agroecológicas sustentáveis e o desenvolvimento de iniciativas económicas lideradas por mulheres. Estes resultados refletem também a importância do envolvimento dos homens, enquanto Campeões Feministas, na promoção de práticas e atitudes favoráveis à igualdade de género, agroecologia e associação.
Na avaliação dos resultados, o diretor executivo da Tiniguena, Miguel de Barros, destacou o facto do projeto priorizar a autonomia das mulheres nos domínios da produção, da alimentação, das escolhas económicas e da participação política. O responsável salientou ainda a importância da participação das mulheres na defesa dos interesses das comunidades e do bem comum, sublinhando a necessidade de promover relações mais igualitárias e uma participação inclusiva nos processos de desenvolvimento.
Neste contexto, o projeto incentivou a participação ativa das mulheres nas associações comunitárias, promovendo o diálogo, a apresentação de críticas construtivas e o envolvimento nos processos de decisão política, económica e social. Ao dirigir as suas últimas palavras às comunidades beneficiárias, a coordenadora do projeto, Ruguaito Baldé, lembrou que o encerramento do EGALE-AO, marca o fim de um ciclo de intervenções, mas deixa o desafio de consolidar os avanços alcançados, fortalecer as lideranças femininas e manter o compromisso dos Campeões Feministas com a defesa dos direitos das mulheres e da igualdade de género.
Implementado pela Tiniguena, o EGALE-AO integra uma iniciativa regional que abrange também o Burkina Faso, o Senegal e o Togo. Os resultados alcançados na Guiné-Bissau evidenciam a importância de continuar a promover a igualdade de género, a agroecologia e a autonomia económica das mulheres rurais, valorizando igualmente o envolvimento dos homens na transformação das relações de género e na construção de comunidades mais justas, inclusivas e sustentáveis.
No âmbito do projeto Ação Climática Feminista, mulheres beneficiárias do arquipélago dos Bijagós partilharam as suas experiências com uma delegação da Associação Mulher, Lei e Desenvolvimento (MULEIDE), de Moçambique. O intercâmbio abordou a governação comunitária e a gestão inclusiva das áreas marinhas protegidas, com o objetivo de promover o desenvolvimento comunitário através da partilha de saberes, estratégias e ferramentas entre as comunidades da Guiné-Bissau e de Moçambique.
O encontro decorreu na ilha de Formosa e reuniu mulheres de diferentes ilhas abrangidas pelo projeto. A iniciativa promoveu a troca de conhecimentos e boas práticas entre a Tiniguena e a MULEIDE, visando fortalecer a conservação marinha participativa e garantir que as mulheres e os grupos vulneráveis tenham voz ativa e liderança no desenvolvimento sustentável das suas comunidades.
Durante o intercâmbio, as participantes visitaram diferentes ilhas, bancas de moluscos e perímetros hortícolas. As visitas proporcionaram uma troca de experiências sobre agroecologia comunitária, resiliência climática, modelos de gestão e conservação de áreas comunitárias, igualdade de género, governação e empoderamento económico.
Mércia Fabião Chitinze, da MULEIDE, considerou que a experiência permitiu conhecer de perto a realidade guineense. Destacou a expressiva produção de arroz, a preservação do mangal e a força da identidade africana nos Bijagós. Em Moçambique, acrescentou, continuam os esforços para recuperar os mangais e resgatar traços culturais que se têm perdido.
Fundada em 1991, a MULEIDE é uma organização moçambicana dedicada ao combate à violência baseada no género. A instituição trabalha para reduzir as desigualdades de oportunidades no acesso ao progresso e ao bem-estar socioeconómico entre homens e mulheres, contribuindo para a prevenção e redução da violência.
Sharon Truzão, coordenadora do projeto RESEA em Moçambique, também se mostrou satisfeita com a visita e com as trocas estabelecidas com a comunidade bijagó e com a Tiniguena. Considerou «fortes» as lições aprendidas e elogiou, em particular, a dinâmica e a articulação entre a Tiniguena e as comunidades locais na preservação ambiental e cultural.
Naentrem Sanca, responsável pela área de género da Tiniguena no projeto Ação Climática Feminista, destacou a importância da partilha sobre o funcionamento das bancas de moluscos e os processos que têm aumentado o número de mulheres em posições de liderança nas estruturas comunitárias. Acrescentou que a Tiniguena adquiriu novas experiências, que poderão contribuir para a adoção de abordagens inovadoras sobre género nos contextos comunitários.
O projeto Ação Climática Feminista na África Ocidental (ACF-AO) é implementado na Guiné-Bissau pela Tiniguena, em parceria com a ONG internacional Inter Pares. O seu objetivo é ampliar as respostas comunitárias de adaptação às alterações climáticas e reforçar a participação das mulheres rurais e dos jovens na proteção da biodiversidade e na promoção da justiça climática.
No âmbito do projeto "Construir em Parceria", a Tiniguena apresentou, em Cabo Verde, um estudo sobre a juventude, as políticas públicas e as transformações sociais na Guiné-Bissau. O documento destaca a camada juvenil como o motor central das transformações sociais, económicas, culturais e políticas do país. Por outro lado, faz analise dos impactos das políticas publicas do sector para o bem-estar dos jovens.
A apresentação decorreu na cidade da Praia, inserida na Semana da Sociedade Civil e Intercâmbio entre Atores de Desenvolvimento. O evento reúne organizações da sociedade civil da Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Portugal, além de instituições públicas, universidades, empresas, parceiros de cooperação e cidadãos.
O estudo realizado pela Tiniguena, aponta como principais fragilidades a centralização institucional em Bissau e a fraca articulação entre setores essenciais, como a educação, o emprego e a saúde. O documento destaca ainda a escassez de dados estatísticos, a baixa previsibilidade orçamental, a forte dependência de financiamento externo e a falta de institucionalização dos mecanismos de participação juvenil.
Conclui que, embora a Guiné-Bissau já disponha de uma base de trabalho, carece de um sistema coerente de políticas públicas para a juventude. Assim, o grande desafio atual não passa pela criação de novos documentos, mas sim por garantir que as políticas e estratégiasexistentes sejam executáveis, financiados, monitorizados e descentralizados.
Para superar essas barreiras recomenda a atualização da Política Nacional de Juventude, que deverá incluir metas, orçamentos e responsabilidades mais claras. Entre as prioridades destacam-se a criação do Plano Nacional de Emprego Jovem com foco na inclusão e na igualdade de género e a instituição de uma coordenação permanente que ligue o setor à educação, saúde, emprego e habitação.
Destaca ainda a necessidade de reforço do diálogo com associações juvenis e rádios comunitárias, a monitorização de dados detalhados para atualizar diagnósticos, o combate ao abandono escolar e o incentivo ao reforço da prevenção da violência baseada no género, a promoção da saúde mental dos jovens e o combate ao uso das substâncias psicoativas completam o pacote de medidas para garantir a proteção social dos jovens.
Além da apresentação da análise do contexto da Guiné-Bissau, o evento acolheu a apresentação de estudos homólogos sobre os direitos e desafios dos jovens em Cabo Verde e em São Tomé e Príncipe.
O "Construir em Parceria" é um projeto desenvolvido pela ACEP, em parceria com a Plataforma das ONG de Cabo Verde, a Casa dos Direitos da Guiné-Bissau, representada pela Tiniguena e a Federação das ONG de São Tomé e Príncipe (FONG-STP). A iniciativa conta com o apoio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, contribuindo para reforçar sinergias, o trabalho em rede, a participação democrática e a boa governação nos países envolvidos.
No âmbito do projeto Diversificação Agrícola, Mercados Integrados e Resiliência Climática-REDE, foi apresentada e validada a nova estratégia de gestão comunitária de equipamentos e recursos produtivos para as regiões de leste. A iniciativa estabelece um modelo de governação claro e reforça as regras de gestão e de prestação de contas junto das organizações e comunidades beneficiárias.
O ato da apresentação publica foi presidida pelo Governador da região de Bafatá, Mustafa Cassama e foi validada pelos membros dos comités de gestão de espaços produtivos, animadores comunitários e técnicos das Organizações Não Governamentais (ONG) NADEL e APRODEL, e os técnicos das delegacias regionais da agricultura e do Plano. Durante o encontro, foram debatidos os resultados dos diagnósticos e o modelo proposto, que abrange 6 comunidades das regiões de Bafatá e Gabú.
Esta estratégia baseia-se num estudo aprofundado das práticas sociais e culturais locais e na sua articulação com a engenharia social. Como principais recomendações, o documento aponta para a criação de uma rede alargada para a gestão partilhada dos equipamentos, a inclusão das autoridades comunitárias tradicionais nos comités de resolução e mediação dos conflitos. A Implementação de sistemas robustos de prestação de contas e de um inventário comunitário de forma a garantir a transparência.
O Reforço das capacidades de jovens e mulheres, o principal público-alvo do projeto e garantes da continuidade da gestão, a manutenção periódica dos equipamentos e a criação de um fundo de reparação e manutenção, constituem os principais mecanismos identificados para a perenidade dos equipamentos e dos espaços de produção.
O projeto REDE é uma iniciativa do Governo da Guiné-Bissau, financiada pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e pelo Fundo de Adaptação Climática. A implementação nas regiões de Bafatá e Gabu conta com a parceria da Tiniguena, focando-se na diversificação da agricultura familiar, resiliente às alterações climáticas, na melhoria do acesso aos mercados e no aumento da produção agrícola.
No âmbito do projeto Ação Climática Feminista, líderes comunitárias da Guiné-Bissau e de Moçambique reuniram-se em Maputo para partilhar experiências e estratégias sobre a igualdade de género com o objectivo de promover o desenvolvimento comunitário, a governação inclusiva e as boas práticas na gestão ambiental.
O encontro, organizado pela Associação Mulher, Lei e Desenvolvimento (MULEIDE), focou-se em debater as desigualdades sociais, económicas e culturais que ainda limitam o acesso das mulheres à tomada de decisões e aos recursos produtivos em ambos os países.
Durante as sessões, a Tiniguena detalhou o impacto do projeto Ação Climática Feminista na África Ocidental (ACF-AO), destacando o papel da liderança feminina na sustentabilidade e na adaptação às alterações climáticas bem como o modelo de gestão das áreas marinhas comunitárias de Urok.
As participantes elogiaram a experiência que prometerampartilhar com as suas comunidades.
Binta Nhantindon membro da gestão das Ilhas Urok, disse que "Embora as nossas realidades tenham as suas diferenças, aprendi imenso. Levo para a minha comunidade ensinamentos valiosos sobre o combate à violência e a importância dos sistemas de poupança comunitária para que nos possamos apoiar mutuamente."
"Este encontro deu-me ferramentas para projetar melhor a nossa voz e apoiar outras mulheres, especialmente em contextos de violência doméstica ou onde há barreiras na educação e no mercado de trabalho. Como jovem, ainda é um desafio quebrar os estereótipos da sociedade, mas saio daqui mais preparada para ajudar outras mulheres a conquistarem a sua autonomia”, disse Palmira Chiau, Ativista da MULEIDE, Moçambique.
Fátima da Silva, representante de Urok afirmou que "Partilhámos o nosso modelo de gestão de áreas protegidas, o que foi muito relevante, pois as companheiras moçambicanas enfrentam a escassez de pescado devido à privatização de águas por pescadores estrangeiros. Em troca, aprendemos muito sobre as suas técnicas de trabalho nas hortas e os seus métodos de poupança."
Associação Mulher, Lei e Desenvolvimento (MULEIDE) é uma organização fundada em 1991 tem como foco o combate à violência baseada no género, visando eliminar o desequilíbrio de oportunidades no acesso ao progresso e ao bem-estar socioeconómico entre homens e mulheres com o objectivo de contribuir efetivamente para a redução da incidência da violência baseada no género.
Ação Climática Feminista na África Ocidental (ACF-AO), é implementada na Guiné-Bissau pela Tiniguena em parceria com a ONG canadiana INTER PARES, a fim de aumentar as respostas comunitárias à adaptação das mudanças do clima e o reforço da participação das mulheres rurais e dos jovens na governança local da biodiversidade e na ação climática.
Uma missão técnica recente da equipa do projeto ReLiMa (Redução do Lixo Marinho) revela que o país enfrenta uma total ausência de planos municipais e nacional para a gestão de resíduos, agravada pela falta de estratégias específicas para o lixo marinho plástico bem como uma prioridade política governativa, fazendo com que as iniciativas ecológicas enfrentam o desafio de criar estruturas resilientes que sobrevivam à instabilidade do Estado.
O que para a Tiniguena, sendo a organização responsável pelo ReLiMa, às constantes mudanças de governo torna vulnerável qualquer modelo desenhado na área dos resíduos.
Durante os trabalhos de campo, a equipa realizou uma visita técnica à lixeira de Safim, o diagnóstico aponta que o espaço se situa numa área de mangal, à beira-rio, potenciando a contaminação direta dos ecossistemas aquáticos. Ainda no local, os catadores reutilizamdiretamente alguns plásticos sem o processo de reciclagem.
O mesmo cenário repete-se na Ilha de Bubaque, uma das zonas prioritárias de atuação do projeto, embora exista uma lixeira local, a ausência de infraestruturas faz com que o lixo marinho tenha uma rota clara para o mar devido à proximidade com a costa. E a recolha é feita pelas associações.
Apesar do vazio estatal, a equipa da ReLiMa encontrou no terreno uma estrutura associativa ativa, embora limitadapela escassez de recursos. Numa reunião com várias entidades locais para compreender os constrangimentos à cooperação coordenada, destacaram-se duas organizações(Nindjên e ADEMA) com atuações um pouco distintas.
Os membros associados da Nindjên já beneficiaram de formação em reciclagem e assumem-se como a base operacional do projeto na ilha. A organização garante a deslocação de resíduos até à lixeira duas vezes por semana, principalmente nas praias. Promovem uma formação ambiental anual (com formadores vindos de Bissau) e realizaram um levantamento dos produtores de resíduos da ilha, cooperando com agências das Nações Unidas no setor do saneamento. Sobrevivem através de quotas dos membros. Colaboram com a administração local, mas raramente recebem apoio financeiro para custos básicos como combustível e transporte.
Associação Adema sediada também em Bubaque, focou a sua atuação na análise da qualidade da água devido ao surto de doenças locais e na reparação de poços comunitários. Contudo, por razoes de instabilidade política perdeu sua parceria estratégia com uma organização internacional.
Durante o encontro entre a ReLiMa e as associações, os participantes foram unânimes em afirmarem que a reciclagem é a única solução viável para a ilha, mas a sua implementação falha por total falta de equipamentos e maquinaria adequados à recolha e reciclagem.
Os atores locais propõem um modelo de economia circular focado na transformação de garrafas de plástico em blocos de construção civil. A ideia assenta num circuito comercial onde um operador compra o plástico recolhido pela população para fabricar e vender os blocos no mercado local.
Este modelo de incentivo já encontra eco noutras iniciativas privadas na ilha. Atualmente, há uma organização que já dinamiza um esquema de troca que atribui descontos comerciais aos cidadãos quando estes recolhem e entregam resíduos.
O desafio da ReLiMa passa agora por transformar estas respostas comunitárias isoladas num sistema integrado, capaz de travar a rota do plástico em direção ao mar profundo da Guiné-Bissau.
O projeto ReLiMa é uma iniciativa regional com a duração de cinco anos (2026-2030), financiada pelo Ministério Federal do Ambiente da Alemanha (BMUV), através do Programa de Subvenções contra o Lixo Marinho da Zukunft – Umwelt – Gesellschaft (ZUG). Além da Guiné-Bissau, o programa abrange Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, integrando três Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID) de língua portuguesa no Atlântico.
No âmbito do Dia Internacional da Conservação da Natureza, a Tiniguena lançou, nesta terça-feira (28 de julho), o Projeto de Redução do Lixo Marinho na Guiné-Bissau (ReLiMa). A iniciativa visa estabelecer modelos sustentáveis de prevenção, recuperação e reciclagem de resíduos no país.
A cerimónia de abertura decorreu na sede da Tiniguena, em Bissau, reuniu empreendedores, empresas, instituições do Estado e organizações da sociedade civil, onde partilharam experiências sobre a gestão de resíduos e analisaram a situação do tratamento do lixo particularmente de plásticos em Bissau e Bubaque. Abordaram ainda a responsabilidade das organizações e do Estado na elaboração de políticas públicas ambientais.
Durante a sessão, foi apresentado o plano de atividades para 2026 e constituído o Comité de Pilotagem do projeto.
O diretor do Centro de Resíduos de Produtos Químicos, Per Cassamá, que presidiu à cerimónia, classificou a iniciativa como uma estratégia fundamental para reforçar a governação ambiental. Sublinhou que a poluição por resíduos marinhos é uma das maiores ameaças aos oceanos e à biodiversidade da Guiné-Bissau.
"Espera-se que os resultados do projeto contribuam para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes, para o reforço da economia circular e para a redução da poluição desde a origem, promovendo padrões mais sustentáveis de produção e consumo", afirmou Per Cassamá.
O responsável de programas da Tiniguena, EriksonMendonça, destacou que o projeto representa um grande desafio por focar a gestão de resíduos num ecossistema particularmente sensível e de elevado valor económico. Mendonça defendeu a necessidade de um trabalho conjunto para mitigar o impacto nefasto do lixo no ecossistema guineense e garantiu a total disponibilidade da ONG para cooperar com todos os atores do setor.
Julian Wiechert, representante da Universidade de Rostock, explicou que a escolha da Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe se deve aos desafios comuns que enfrentam na gestão de resíduos plásticos devido à sua condição insular e costeira. O académico expressou o desejo de que o projeto seja amplamente adotado pelo Estado guineense e pelos diferentes atores locais que operam na área ambiental.
Rafaela Caizer, representante da BlackForest SolutionsGmbH, explicou que o encontro permitiu discutir soluções a longo prazo para melhorar a gestão de plásticos. A especialista alertou que a contaminação dos mares prejudica diretamente a pesca, uma das atividades económicas mais importantes da Guiné-Bissau.
O projeto ReLiMa é uma iniciativa regional com a duração de cinco anos (2026-2030), financiada pelo Ministério Federal do Ambiente da Alemanha (BMUV), através do Programa de Subvenções contra o Lixo Marinho da Zukunft – Umwelt – Gesellschaft (ZUG). Além da Guiné-Bissau, o programa abrange Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, integrando três Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID) de língua portuguesa no Atlântico.
A Tiniguena vai lançar, na próxima terça-feira, 28 de julho, o Projeto ReLiMa – Redução do Lixo Marinho na Guiné-Bissau, tendo como objetivo incentivar ações de proteção dos ecossistemas marinhos e promover uma gestão mais sustentável dos resíduos, envolvendo as comunidades na mitigação da poluição nos oceanos.
O lançamento será marcado por um workshop que servirá como espaço de diálogo, partilha de experiências e concertação entre os diferentes intervenientes que trabalham na área da gestão de resíduos sólidos e da conservação ambiental. O intuito é fortalecer as parcerias necessárias para enfrentar os desafios relacionados com a redução do lixo marinho no país.
Durante o encontro, serão apresentados os objetivos, as atividades previstas e os resultados esperados, bem como a criação do Comité de Pilotagem e as oportunidades de colaboração no âmbito da implementação do projeto ReLiMa.
O projecto irá abranger as comunidades do sector autónomo e da região de Bolama Bijagós.
O ReLiMa é uma iniciativa regional de cinco anos (2026-2030), financiada pelo Ministério Federal do Ambiente da Alemanha (BMUV) através do Programa de Subvenções contra o Lixo Marinho da Zukunft – Umwelt – Gesellschaft (ZUG), visa estabelecer modelos sustentáveis de prevenção, recuperação e reciclagem do lixo marinho em três Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID) de língua portuguesa no Atlântico: Guiné-Bissau,Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.