
No âmbito do Dia Internacional da Conservação da Natureza, a Tiniguena lançou, nesta terça-feira (28 de julho), o Projeto de Redução do Lixo Marinho na Guiné-Bissau (ReLiMa). A iniciativa visa estabelecer modelos sustentáveis de prevenção, recuperação e reciclagem de resíduos no país.
A cerimónia de abertura decorreu na sede da Tiniguena, em Bissau, reuniu empreendedores, empresas, instituições do Estado e organizações da sociedade civil, onde partilharam experiências sobre a gestão de resíduos e analisaram a situação do tratamento do lixo particularmente de plásticos em Bissau e Bubaque. Abordaram ainda a responsabilidade das organizações e do Estado na elaboração de políticas públicas ambientais.
Durante a sessão, foi apresentado o plano de atividades para 2026 e constituído o Comité de Pilotagem do projeto.
O diretor do Centro de Resíduos de Produtos Químicos, Per Cassamá, que presidiu à cerimónia, classificou a iniciativa como uma estratégia fundamental para reforçar a governação ambiental. Sublinhou que a poluição por resíduos marinhos é uma das maiores ameaças aos oceanos e à biodiversidade da Guiné-Bissau.
"Espera-se que os resultados do projeto contribuam para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes, para o reforço da economia circular e para a redução da poluição desde a origem, promovendo padrões mais sustentáveis de produção e consumo", afirmou Per Cassamá.
O responsável de programas da Tiniguena, EriksonMendonça, destacou que o projeto representa um grande desafio por focar a gestão de resíduos num ecossistema particularmente sensível e de elevado valor económico. Mendonça defendeu a necessidade de um trabalho conjunto para mitigar o impacto nefasto do lixo no ecossistema guineense e garantiu a total disponibilidade da ONG para cooperar com todos os atores do setor.
Julian Wiechert, representante da Universidade de Rostock, explicou que a escolha da Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe se deve aos desafios comuns que enfrentam na gestão de resíduos plásticos devido à sua condição insular e costeira. O académico expressou o desejo de que o projeto seja amplamente adotado pelo Estado guineense e pelos diferentes atores locais que operam na área ambiental.
Rafaela Caizer, representante da BlackForest SolutionsGmbH, explicou que o encontro permitiu discutir soluções a longo prazo para melhorar a gestão de plásticos. A especialista alertou que a contaminação dos mares prejudica diretamente a pesca, uma das atividades económicas mais importantes da Guiné-Bissau.
O projeto ReLiMa é uma iniciativa regional com a duração de cinco anos (2026-2030), financiada pelo Ministério Federal do Ambiente da Alemanha (BMUV), através do Programa de Subvenções contra o Lixo Marinho da Zukunft – Umwelt – Gesellschaft (ZUG). Além da Guiné-Bissau, o programa abrange Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, integrando três Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID) de língua portuguesa no Atlântico.